sábado, 24 de julho de 2010

Rosas na cama

Se você soubesse o peso do mundo que cai sobre mim quando nós discutimos, mesmo pelas razões simples, estaria me abraçando até agora. E não teríamos mudado sequer a posição. Encontraria o lugar mais confortável em seus braços e te mostraria que podemos ser assim por um momento que chamamos de sempre. Se você pudesse contar as lágrimas que já inundaram meu travesseiro, todas cheias de saudade sua, faria de mim uma rotina. E se você não existisse, eu não estaria tão viva.
Nos amamos e deixamos cair sobre nós uma chuva de fantasias, como o mundo do avesso. Entro no quarto, você me espera com aquele olhar ansioso e coberto de malícia. Sua boca me chama, sou entregue. Até peço que você tenha calma, mas a ânsia desse desejo não faz questão de qualquer cerimônia. O tesão vira linguagem no beijo, e a temperatura parece sofrer algum fenômeno aquecedor sobrenatural - você diz, em outras palavras. Então, enche a cama de rosas, pintamos a tela em cores quentes, vivas e em retrato. Sobre as flores, arrebatada, eu me deito e descanso. Quando sinto os olhos abrirem para despertar é que noto: elas tinham espinhos...