terça-feira, 1 de junho de 2010

Sem açúcar

Terça-feira à tarde, e a lembrança do seu corpo não me deixa saber que é inverno. Cotovelos derrubados sobre a mesa, os cabelos penteados pelo vento e vitimados pela mão que nada encontra sem lhe tocar. Dentro do café mexo seu gosto desembaraçado pela memória, e um gole fervente me atiça a alma e estremece a chuva pelos olhos. "Outro, por favor. Amargo, sem açúcar." Com gosto de amor esmaecendo...Saudade agora é quase um verso escrito pela espuma do café nos arredores da xícara. Trinta e sete goles e só me interessa um pó de canela!
O vento que agora me assombra vem lembrar do tempo que passa, e que infortúnio não me tirar os pés do chão. Solas de sapato quebrando as telhas do inferno. E no fundo da xícara previa um cigano: eu nunca mais vou te esquecer...