terça-feira, 29 de junho de 2010

Procura-se uma dor

Os passos de distância que me separam de você trazem a sensação de que é sempre inverno. No soneto tortuoso e nas canções mais veementes, procuro uma dor que me conforte. E de toda maresia, me vejo sempre sobrevoar ao norte, para onde os ecos das suas promessas me põem a naufragar. Neste flagrante estou remando na direção contrária, em meio ao maremoto, perdendo as forças e largando o barco. Trocaria qualquer vida pela minha nesse instante, testaria a profundeza do oceano para não morrer afogada de tanto respirar você. Bateria a cabeça contra o chão ou a parede até que perdesse completamente a memória. Eu só não viveria mais um dia se você não estivesse ao meu lado.
Você é difícil de esquecer.