quinta-feira, 24 de junho de 2010

Poema da despedida

Sentada com os olhos deslumbrantes
Despejo a alma no teu ventre
Com o olhar mais triste e delirante
Não te esqueço, amor, por mais que tente...

E estes olhos molhados cheios de vida
Que te olhando choram, mortos de saudade
Vêem nascer-me à nova vida
Fechados – que venha a eternidade...

Se deixar-te, deixo amor e uma esperança
Na eterna certeza de que sou tua
No sorriso e pureza de uma criança
No cair da noite quando ver a lua

E a morte, louco amor, é tão anoitecida
Que não vejo sequer o luar da janela
Quem me dera morrer, mas adormecida
Em teus braços olhando para ela...

Ah, morte querida, depressa alcança!
Vem a mim nessa noite, não sem saber
Que a vida me mata pouco a pouco
E antes de ti é injusto morrer...

Meu amor, se te deixar, promete:
De mim não te esquece – deste amor amigo
Vou embora e deixo a nossa história escrita
Deixo a vida e levo comigo...

Os teus olhos vibrantes ao me ver
sacrificando a alma de saudade
Pergunto-me à janela: Se não morrer
devo doar-te uma metade?

E abraçada com a morte pontual
Hei de ser o sol ao meio dia
Prometo levar-te todo o mal
e trazer para ti uma alegria...

Hás de ser a minha razão de vida
Que pena acabar tão cedo – adeus!
Sou anjo e te espero desprevenida
Rouba-me os sonhos e os faça teus...