sábado, 19 de junho de 2010

Poço dos desejos

Na ânsia desejosa de um atrito entre os lábios, como duas chamas acesas cedendo a explosão, e o cobertor da cama estendido até onde era possível cerrar as cortinas de uma cena intensa. A sua língua dentro da minha boca, de repente a buscar o corpo desenfreada, a pele ardida como um sol ao meio dia. Os movimentos do seu corpo traziam segundos tão sofridos de distância pela vontade de reter você para perto, para dentro, de um jeito em que estendesse o ato de segundos pela sensação dos beijos desencontrados e de um abraço cansado e aconchegante. O tempo nos era escravo por essa manhã aquecida, e fez parar todo o mundo nos instantes em que sua expressão cobriu-se da seriedade de me querer dizer alguma coisa, alguma coisa que era escrita pela dança e pela procura dos seus olhos em cada um dos meus, castanhos escurecidos, perfeito retrato para a moldura dos seus cabelos loiros derrubados sobre os ombros. Os seus olhos, ah! Os seus olhos foram uma moeda de desejo jogada ao poço, que afundou e penetrou brutalmente no meu âmago, dissolvendo o seu gosto na minha boca e sua imagem na cabeça pelas veias a me fazer sentir completamente sua...