quinta-feira, 10 de junho de 2010

Pelo teu véu – Sorrir...

Que eu não tema a ti, a tua vinda
Me há de ser tortura ou descaso
Se deixar-te agora, ou tentar-me ainda
À desfalecer na agonia o fado...

Pusera-me a vida a teu dispor
Se por instante findo, assim será?
Sê eterno, se assim for...
Sabes dizer, enfim, o que há?

O que há que me veste tortuosa graça?
De pensar sequer em estar distante
Por ora sinto-me adoecer desgraça
De seres anjo e querer-te amante...

Enquanto a alma palpita, o destino cega...
E aflita avexo, entorpecida...
Por pouco não te posso ser eterna!
Por triz querer-te a toda vida!

E meu amor, hás de perdoar-me
Por noites mal dormidas, tão bem sonhadas...
Perdoa-me - suplico - hás de dar-me
Na beleza dos versos, noutras palavras...

Uma lembrança vaga, a memória ardente
Toda sensibilidade é esmola de poeta...
E ainda que sejas de mim descrente
Hei de ser a mais certa...

Se sofreres mais eu hei de sentir
Se fugires de ti, agarra-me forte...
Não me deixes mais ir...
Ainda que contra a morte...

Guarda meus versos, que não são vida
São eternos enquanto sentes...
Guarda-te a mim, mas só sorria
E há de ser o meu maior presente...