domingo, 27 de junho de 2010

Bodas de bronze

Não me conte os fatos. Pela sua cara descarada que me apaixonei. Tão cega estava que não escrevi na nossa história sobre seus olhos me comerem no primeiro encontro. Tal que é sua doçura audaciosa...Então diga-me novidades, mas não me conte os fatos. Quem sou eu para você?
Nessa madrugada você me vem na moldura dos soluços e perdendo o ar, desabando no buraco que vem cavando aos seus cuidados. Eu só peço que tire a blusa, a sua pele queima. Os seus olhos vermelhos não me deixaram ver que aquelas pessoas na mesa ririam de mim, só por estar ali, sentada ao seu lado, com a alma ajoelhada rastejando aos seus pés. Ladra das suas dores, pronta para roubar a mesma faca que desmonta seu peito e chorar ao seu lado. Meu amor, as minhas mãos ainda estão molhadas pelas suas lágrimas. E eu só queria estar ao seu lado por mais um minuto.
Na próxima madrugada, provavelmente ela estará com você de novo, e eu vou sentar no mesmo lugar. Lamúria rotineira. Será que minhas lágrimas vão brilhar nas suas mãos também, ou será sua aliança?