domingo, 6 de junho de 2010

Amor cortês

O charme do meu pranto
É o teu modesto encanto
E eu chorando lhe sorria

O seu vocabulário ordinário
Já tenho inteiro decorado
E vai virar poesia

Eu vou rezar para que teus filhos
Nunca te perguntem
O que é amor

Vou completar teu nome inteiro
Com prenome seu
E sobrenome dor

Quantas vezes os meus braços
Não te apunhalaram pelas costas
Vinham armados, lotados de rosas

Já encontro os estilhaços
Que restaram dos teus abraços
E o coração em pedaços
Foi tua resposta

Me amaste por um cigarro
O teu cântico de rima vaga
É mais bolero que ser amada
Eu fui a vítima do teu torpor

Toda a magia da tua saga
No meu canteiro era uma praga
E afinal, é mesmo em lágrimas
Que se mede o amor

Ademais não há saída
Do teu afeto desumano
Da tua certeza por engano
Da tua estrada em linha torta

Ademais, eu fui vencida
E seus aplausos chegarão tarde
Num pôr-do-sol, que não te arde
O amor cortês, a mim não corta.