sexta-feira, 25 de junho de 2010

Amador

Estilhaços do que peca meu corpo são a companhia dos meus trapos de roupa. Estou assim, adoecendo pela espera da sua volta. Sua voz chorosa estende as cortinas de um espetáculo particular e eu me vejo a despejar soluços e prantos, gritantes e fúnebres como um escarro me fazendo degustar a morte. Sem luzes e aplausos (o luar de platéia), me atiro em pedaços de calçadas e ruas sem saída. Pingos cortantes de chuva - vagando tempestuosa em minha alma...E você, tão perto, pisando sobre a ternura dos nossos sonhos e das palavras que você mentia para mim com tantas verdades. Não vá, não vá! Eu imploro! Está indo, eu não vou deixar. Debruçada no tapete vermelho, agarro-me às tuas pernas e peço de joelhos que não vá embora, enquanto uma cicatriz se apresenta abrindo, dilacerando meu peito. Você insiste em ir. E depois você volta, volta com a mesma pressa que eu tive de encontrar meu grande amor. E no balanço da serenata eu te encho dos galanteios apaixonados e você me sorri como um retrato na mesa do quarto, sem nada que possa me surpreender. O espetáculo amador ama a dor. Porra, por que você simplesmente não promete não me prometer mais nada?