sexta-feira, 28 de maio de 2010

Um quase imperfeito


Aquele olhar quase desesperado do outro lado da rua, as mãos guardadas no bolso reservando a ternura de um ramalhete, e os nossos olhos todos cheios dos pirilampos, ah! Os nossos olhos namoraram segundos.

Sem moldura havia a réplica daquele cavalheiro que conheci na página 20 de um romance. Eu juro que você é assim, um quase imperfeito.

E se os pássaros voassem na cena a cantaria seria matrimonial. Mesmo assim a perfeita envoltura dos seus braços me deu um vôo sem asas, e eles morreriam de inveja da leveza angelical com que você me faz sorrir. Não sei por que insisto em flores, mas é o que me faz lembrar o frescor de um cheiro bom diante do seu beijo, que com garras invencíveis deturpava meu pescoço a noite inteira.

Se eu tenho um amor? Tenho, só não sei se importa.

Se eu tinha um grande amor? É verdade, mas eu vou abrir a porta.