segunda-feira, 24 de maio de 2010

Prosa com amor


Bati na porta. (toc, toc, toc)

- Amor, tira-me os pés do chão.

- Quem disse que tu sabes voar?

A lenharia rondava um quarto erguido de madeira. Cambaleavam borboletas e cochichavam as águas do riacho. O casebre era um quartinho de três paredes e um aconchego. (toc, toc)

- Amor, tira-me os pés do chão.

- Quem disse que tu sabes voar?

Está bem, quando choveu eu não ouvi mais o riacho prosear, as borboletas se escondiam, a lenharia cessou e o casebre todo escurecido. Céu com cor de amargurado. Pouco importa, derrapei a sola dos sapatos e escalei uma árvore maior do que qualquer sonho. Abri os braços e quis tombar o corpo. A certeza era tanta - meu coração clamava - que fiz inveja para o amor, sem bater na sua porta, gritei para ouvir da janela:

- Amor, tira-me os pés do chão!

- Quem disse que tu vais pro céu?!