sábado, 1 de maio de 2010

Apenas para você ver a lua

Calma, meu amor, não há motivos para aflição. Pode deitar onde for mais confortável, aconchegar-se perto de mim e deitar suas lágrimas. Então eu te abraço tão forte e nós esquecemos de tudo. Não é verdade que nós brigamos, e você não me fez quebrar promessa alguma.
O chão de um aposento me acolhe agora, e meu olhar travou nos estilhaços que restaram dos meus pensamentos em um pedaço da janela. Queria te chamar agora, amor, quero só que veja como a lua está linda hoje. Você viria?
Sinto, meu amor, sinto culpar-lhe por inundar meus olhos. Por mais vivos e límpidos que estejam, derramando saudades de você, desejo que eles se fechem. E não quero ser chamada para ver o sol nascer. É a hora em que me lembro que chegou o que você chama de “amanhã”, e parece que amanhã tudo se resolve, amanhã tudo passa, amanhã o que você sente não existirá. Sinto, amor, mas ontem eu também pensava assim.
Eu queria que seus beijos cobrissem o resto da página do meu diário, e que quando eu não conseguisse acreditar em você, simplesmente você me colocasse em seus braços e apertasse com a força de toda a sua raiva. Não importa se não fizer frio, eu queria mesmo sentir a sua respiração forte e o frescor de um poente que partia da alma. Não, eu não queria fechar o livro desse romance.
Quando pergunto o que você não pode responder, sinceramente, é o que mais me dói. Quando falo de dor, sinto uma estaca me entrando bem aqui no peito, e meu corpo todo sofre um calafrio. Se essa estaca existisse, talvez eu tentaria me apunhalar a sangue frio, seria um jeito de tentar tirar o que você deixou em mim.
Amor, quando ler essas palavras, feche seus olhos por um instante. Sinta como calada e inocente eu toco seu corpo, no gesto mais infante a brincar com seus cabelos e tirá-los do rosto, olho para dentro dos seus olhos e te beijo com toda a vontade que tenho. Depois, qualquer um dos dias na cama, e eu te seguro e te abraço forte porque eu sei que você pode ir embora. Se puder, até ouça minha voz sussurrar que sou apaixonada por você em uma hora da madrugada. Era o que eu queria agora.
Meu amor, eu poderia desistir de todos os anos que me restam de vida para não virar essa página nunca mais. A partir de hoje, toda vez que você tocar em outros lábios, se ver em outros olhos e perder em qualquer abraço, no mais fraterno, absurdo ou romântico que seja, pensa em mim. Pode ser para olhar o sol se pondo, pode ser para a janela quando a chuva está caindo, pode ser sentindo o vento te tocar no rosto. Eu podia ir embora dessa vida (e vou partir com toda a dor do mundo que me rasga e sacrifica o peito nesse instante, com as mesmas lágrimas dos primeiros parágrafos), mas queria ter deixado algo em você.
O nosso amor começou pelo fim, e aquele chão frio ainda consegue me acolher e roubar um abraço. Fecho os olhos para esperar a noite acabar, e com o frio que faz sem estar em seus braços, eu simplesmente espero não mais acordar.
Não sinta em não poder me dar adeus por hoje. Meu corpo é trêmulo, o frescor da noite gélido e começo a não respirar. Não, não sinta em não ter me falado o que devia, meu amor. De algum lugar no seu peito eu prometo ressurgir um dia, e onde quer que esteja, da mesma forma como eu fiz quando estava presente, vou fazer seu coração acelerar e contemplar o dever de um anjo se puder ir embora vendo você sorrir.
Calma, meu amor, por favor calma.
Se eu soubesse que quando deitamos na cama e perdemos a hora em um abraço, que quando você puxou o cobertor e me beijou profundamente e quando eu olhei nos seus olhos por umas palavras de amor seria a última vez, eu não estaria aqui agora.