sábado, 8 de maio de 2010

Do que é o amor

Tens os olhos mais ternos que encontrei. É que acaba a pilha do relógio quando me fitas com esse sorriso, esse mesmo com o gosto de beber a água doce do riacho. Tuas sobrancelhas marcantes e caídas para os olhos descarregam em minha alma alguma força que me entoa nos braços e me deita nas nuvens do céu azul, e posso ver a lua no entardecer e pela manhã fresca . Penso em ti.

Se cada amor para mim tornasse um poema – e não torna? – o teu já seria um romance. Me olhaste porque já me conhecias, gostei de ti porque já gostava da sensação que me trazes, e tão cruelmente insensível fui que pensei que só veria a lua durante a noite.

Mas tu – posso chamar-te príncipe? – serias o sonzinho de um pássaro que visita minha janela, o calor do sol se despedindo no fim da tarde, o néctar das flores bonitas – e que flores não são bonitas quando se está apaixonado? Serias o pequenino infante que me pediria colo para não ter um pesadelo, como pedem teus olhos quando é minha vez de intrigar. Serias o abraço forte e protetor que eu preciso quase sempre, só não agora, mas daqui a pouco. Serias essas belezas que pairam nas entrelinhas das minhas poesias.

E é assim que acontece o amor. O beijo, a fala, as carícias e os gestos são seu desencanto. As flores têm sempre o mesmo cheiro bom. A água do riacho é sempre doce como a água do riacho é doce, e a tarde vem sem nunca avisar e nunca deixar de vir, avermelhada, anoitecida, toda cheia da beleza de um sol atrasado. Já o principezinho algumas vezes cai do seu cavalo branco. Os pássaros não, eles sabem voar.