segunda-feira, 31 de maio de 2010

Delicadamente incorreta

Entre a tímida garoa e algum reflexo seu na noite estavam meus pensamentos. E as palavras que eu pretendia dizer via discorrendo silabicamente na fumaça do cigarro. "Quando você perceber que eu estava te olhando, virarei o rosto." - deu as cartas nosso jogo implícito. Um dado no tabuleiro, é a minha vez. Perdi as contas e nós perdemos de empate.
Eu faria um livro só para te ver folhear novecentas páginas onde coubesse a descrição do que fazem seus olhos com os meus, mas eu daria um lugar melhor para suas mãos. "Eu aposto uma garrafa de cerveja que você estará pensando em mim nessa noite." E a partir desse horário, dessa idéia mordiscada de torpeza, dessa quentura alcoolizada na garganta eu me perdi de mim mesma. Afinal, havia alguém interessante com quem eu pudesse me encontrar. E eu tenho me encontrado em tantas calçadas, no fundo dos bueiros e no gargalo vagabundo da bebida só para te mostrar que eu consigo ser tão delicadamente incorreta quanto você. Por falar em delicado, eu lembrei do nosso amor...

Que audácia cretina dizer que eu te olhava. Na verdade, eu só estava cantando a nossa música predileta: "I can't take my eyes off you..."