terça-feira, 11 de maio de 2010

Alma de uma flor

Adoro desandar os pés em meio ao pomar, sentir o sol contrariar as entranhas do vento nos poros, e a pele quente no ardor apaixonado. Tocar as mãos do ser amado é resgatar o néctar das flores, é regá-las e sorrir sem jeito a um girassol. Por quantas noites derramaria um choro de criança em um escarcéu desamparado se tu não calasses a verdade com teu beijo? Aquele beijo imundo, eu sentia que ali não eram verdes pastos para me aventurar, mas amava senti-lo acolhendo, envolvendo, traindo... Iludindo-me? Não, acho que essa hipótese poderia ser descartada, foi uma escolha minha. Escolhi por onde andar, por onde amar, eu escolhi me entregar... enfim eu escolhi essa flor! Que desamor! Não são as flores que perderam seu perfume. Eu é que me esqueço da mania de respirar por estar tão ofegante por uma dorzinha de saudade. Disseram-me que escolho amar errado, todavia pergunto se amar é certo ou é certeza. E a dor de amor é que alimenta a alma...Será que as flores têm alma? É, eu fui arriscar justamente contigo aquela velha brincadeira, sabe? “Me amas, não me amas” arrancando-lhe as pétalas e comparando-as aos nossos dias. Dias me amavas, dias me sorrias, dias me maltratavas, dias me iludias, dias me iludias e sorrias, dias me maltratavas com amor, quantas infinitas pétalas pertencem? Desisto de saber.
Tu mentias o tempo inteiro, é por isso que teus olhos viviam em fuga. Não te deixarei mesmo – eu prometi. Estás aqui onde meus braços se encontram cruzados ao peito, como uma linda história protegida. Uma história sem fim, já que todo final é feliz. Feliz ao olhar de quem está de fora, então te considera feliz, pois estás fora da história onde fui um aprendiz. Hoje a guardo como uma caixa de delícias combinadas, onde a mais perfeita, no caso tu, é elevada e parte em um vôo. Mas vai pra longe. Bem longe. Onde eu possa desandar os pés e não te encontrar dobrando a esquina...