sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Da alma branda delirante

Quando avisto os olhos teus...puros, de infante
São negros e ternos de banho em verniz
São olhos da alma branda delirante
Sei lá se entorpecem, se fazem feliz!

Quando avistei os olhos teus...à primeira vista
Vi teu coração perdido, esvoaçado
E quando guiaste minh'alma desta crista
Deixaste o meu dormente, alucinado...

Ah, que temo? Temo me encontrar
Quando avisto a doçura destes olhos submersos
Ai, eu temo, como temo deixar
Derramar o que há escondido em meus versos!

Que olhos tens! Que jeito de olhar!
Uma nobreza angelical, um divino flerte
Que me convence o destino a admirar
Que me ora é guia, ora endoidece...

Parece-me enfermidade, que cura e enaltece
É como a mocidade, um perfume de flores
A calmaria da alma que almeja prece
O destino ingrato de viver de amores...

E como olhar no horizonte a beleza do alvor
Como o sol despede, como a lua que é cheia
Em ti despejo a graça do amor...
Por ti e teus olhos minh'alma incendeia!