domingo, 28 de fevereiro de 2010

Tudo o que eu não gosto (amo) em você.

Quer saber de uma coisa? Olha, eu não gosto de você. Sinceramente, as suas roupas não me agradam. As canções que você ouve, eu detesto! E a sua inteligência é o que mais me falta. Sabe de uma coisa? Eu não suporto mais lembrar da sua voz, por saber das vezes em que você me tirou de uma manhã de sono para ouvir a minha. Sabe tudo o que eu desejei para mim um dia? Você passa tão longe disso, e ainda pegou um atalho. Os seus gestos nunca vão decifrar o que eu quero, e o seu vocabulário ordinário nunca vai virar poesia. Você mal sabe diferenciar Clarice Lispector de Florbela Espanca (por isso eu rio da sua cara agora). Seus cabelos não têm nada de novo, são quase da cor dos meus. Por que tardou a tirar essas mãos pesadas de cima das minhas? Eu odiava quando segurava a minha mão, porque você iria soltar, eu sabia! Sabe de outra coisa? Eu nunca te achei impressionante. Você foi tão comum, de comum agrado pra mim. Eu tinha um amor que sabia que Van Gogh não era algo como Jack Welch. Dizem que eu devo me encontrar com alguém que o saiba, e fascinada eu encontro em outras pessoas alguma coisa que perdi em você. Dizem que eu vou amar de novo, e dessa vez quem mereça. Ninguém me perguntou se é isso o que eu quero. Sabe que eu mal lembro do seu nome, muito menos do quanto seu abraço era protetor, carinhoso e me deixava forte? Não lembro nem da cor dos seus olhos, só do formato que eles tinham e de todas as expressões que faziam. Ah, será que é tarde demais para perceber se eu te amo?
(...)
Ei. Será que é tarde demais para dizer que eu te amo?