quarta-feira, 26 de agosto de 2009

O Veneno

Era ela adormecida...
Sob o manto negro que enraíza o luto
E como fruto, apodrecida a vida.

Era ela amando a sepultura...
Geme, agora, que voz sofrida!
Sepultou o seio tão tardiamente,
ela era morta, adormecida...

Apunhalou o peito e chorava...
Era bela, adormecendo...
Vi eu cego – o sol raiava...
E ela via esmaecendo...

Pobre dela, tão bela, enaltecida
pela escuridão da madrugada...
Era ela já embebida
do próprio sangue que sugava...

Era ela sem gosto de vida,
assim dissera: “Já morri!”...
Vai, formosa, mas vai adormecida...
Vê que a morte te sorri!

Miguel Alcântara