terça-feira, 28 de julho de 2009

V

"Agarrei-me ao que me aparecera em sonho. Tua imagem debaixo de um manto de alguma cor clara que já nem posso recordar, pois perdia o rumo no teu queixo, na testa, nas orelhas, no nariz, na boca, nos olhos enfim. Novamente fizeste o meu sol raiar pela madrugada, e sabes, amor meu, acordei aos prantos. Molhei o lençol e abracei tão forte o travesseiro...sou só, e a culpa não é tua, mas do amor que deixei desabrochar nesse peito quase morto...Quando despertei, imediatamente segurei o maior travesseiro e desejava tanto envolver-me em teus braços de novo, como encaixávamos perfeitamente...Ter o rosto protegido pelo teu ombro e um colo só meu, e que me ouvisses chorar um pouco sem dizer nada. O teu silêncio pode me confortar se eu ouvir um pouco da tua respiração, sentir teu cheiro de banho tomado nas pontas dos cabelos ou embalar em valsa nos teus olhos de pérolas. Vou me apegar em que nessa noite? Como criança que desperta qualquer hora e chora, chora sem fim a encontrar-se no seio materno, eu choro e posso até gritar para que o tempo traga aquela noite de volta. Passou, e nunca mais houve o dia em que eu fechasse os olhos sem esperar o teu corpo se juntar ao meu, tua mão segurar a minha ou acariciar meus cabelos...Perdoe-me por não ter olhado bem dentro dos teus olhos e agradecido o melhor dia da minha vida. Oh, como dói, como choro! Meus olhos são fonte do desterro desse amor."

Manuela de Castro