quinta-feira, 9 de julho de 2009

Para Quem Não Vive Um Grande Amor
IV
“Ouvi dizer, ou melhor, eu mesma digo que um amor quando toca o teu peito é capaz de durar a vida inteira. Eis o amor, na incondicionalidade que tem a sua essência, amor é puro, é eterno. Quero dizer também que quando vou dormir, assim, quando encosto a cabeça no travesseiro e os olhos pedem para ser fechados vem qualquer cena à cabeça que eu tenha passado ao teu lado. Pode ter sido um abraço, um trocadilho, pode ser que eu sinta algum cheiro que te reviva naqueles minutos, é um sonho consciente do qual acordo e me flagro sempre com o mesmo pensamento – com a mesma pessoa, eu disse. Da mesma forma como eu te encontrei, te abracei, te cheirei, te gostei eu pensei ‘Tu és uma das pessoas que vou levar até o último instante da minha vida.’. Lembras daquele sorriso infante quando te disse que saberias quem eram essas pessoas? Eu sabia que eras tu, mesmo naquele dia de nossos primeiros encontros. Era em um banco de cor cinza, e havia uma cobertura que impedia que o sol chegasse. Tuas pernas? Ah, dentro de calças pretas eram ligeiramente cruzadas.
Agora que te amo eu também afirmo que serás para sempre o meu grande amor, pois toda vez que olho o meu coração preciso ver que estás vivendo ali dentro, e se não estivesses, ele pararia de bater, eu morreria. Eu te sinto a cada minuto e vem uma quentura pelo corpo – fugindo da ardência apaixonada, é mais uma aflição de tentar livrar-se disso enganosa, sabendo com toda a certeza de que estou viva, é que sei que te amo e não viverei se deixar de te amar. Sinto a minha alma predestinada a isso, pois nada nem ninguém me aconchega até o âmago como quando estou em teus braços, aí qualquer palavra se cala, as lágrimas subitamente secam e eu pareço não pertencer a esse mundo. Eu poderia viver a vida inteira das lembranças desse dia, e talvez eu minta se disser que não o faço. É possível, também, que eu minta dizendo que lutarei para te esquecer, que vou viver um grande amor, e que não te quero ao meu lado para todo o sempre. Se fores embora um dia... não, não, não! (Um grito). Disse que quero que sejas feliz, apenas, mas se tu fores embora eu te prometo, assim como prometo esse amor eterno, que vou morrer! Desfaleço só de pensar em não poder correr ao teu encontro em uma hora de aflição, e parei aqui, não quero pensar nisso.
Olha, eu só quero dizer que as palavras vêm me faltando nesses últimos dias, quando olho nos teus olhos tenho medo de roubar-te o sorriso em dizer que te amo tanto que penso em morrer por isso, que esse amor é um órgão do meu corpo e é tão vital quanto tu és para mim...Eu te pedi um conselho, não é verdade? Dissestes que não via outra solução, mas posso te fazer outro pedido? Do fundo do meu coração mais límpido e brutalmente ferido é que te imploro – e ajoelho, e beijo os teus pés, e choro e cumpro qualquer promessa insana, não vais para longe de mim nunca, nem mesmo em pensamento. Eu morreria.”

Manuela de Castro