quinta-feira, 2 de julho de 2009

Para Quem Não Vive Um Grande Amor
II
“‘Calma’ – implorei a mim mesma, ‘...é só um amor. Só uma dor que pode durar a vida inteira, mas quem sabe o que te espera lá fora?’. Lembro-me ainda das lágrimas que deixei cair na sua varanda, e de como debrucei no auge dessa doença entorpecente a calcular a altura de onde estava. ‘Vai!’ – forcei-me, estava diante de um segundo que amenizaria para sempre o sofrimento que me restava ter. Já estava pronta e eu queria voar sem asas, voar sem asas pra existir sem respirar e sem que o coração batesse.(...) Enfraqueci e recuei aos prantos imediatamente. Olha aí a vida, como é formosa, delicada, parece até uma história digna de um livro famoso, um romance popular, talvez. Sinto protagonizar um drama em um livro aberto, onde ela escreve o que deseja. Sim, é ela...(...) Olha! Estou morrendo e é de amor! Hei de ter uma morte tão digna que se tenho um desejo, vou suplicar que façam da minha memória uma experiência – não poupeis as palavras que pedem para sair do coração, o destino muda tão rápido que bastou que eu piscasse os olhos para ter mais uma linha escrita. Ponhais na minha lápide uma pedra mágica, esbranquiçada e é só isso. Não quero lágrimas, nem despedidas, já nem sei se sou digna da piedade alheia. Sei que estou me tornando tão podre como ser humano que essa minha ausência virá como agrado...(...) Olha se não parece uma menininha, aquela criança que aprende a lidar com seu primeiro amor! Olha quanto exagero, quanto drama nessas cartas que faço...Mas se houvesse realmente um motivo para que eu aumentasse esse sofrimento, para que essa confissão exacerbasse o meu sentimento, eu seria artista e vos digo, sou um fracasso vestindo máscara – ainda visto, mas são máscaras transparentes.(...) E o meu maior desastre é que foi o diabo quem colocou um anjo em minha vida. (...)”

Manuela de Castro