quinta-feira, 25 de junho de 2009

Ruínas De Um Grande Amor Perdido

Dissera – caralho! Que ardor maldito!
Tanto mentes que te chama amor!
Enquanto matas, és infinito
Quando amas, és a dor!

Vai-te longe, tua desgraça!
Nem me esbarra teu vestido
Que te atrevo à populaça
Sacrificar-te o corpo todo despido

Nesta tarde quero respirar
Nem uma gota deste corpo vai cair
Pode ser de suor pelo sol na terra
Mas não pelo amor que está por vir!

Ah, maldita! – e a minha faca
Que larguei na cama tua
Sóbria como estás enamorada
Há de ser sangue a carne nua

Te odeio do cheiro ao fio de cabelo
Da boca estranha que beijei
Da cor dos olhos ao corpo inteiro
E mais o amor que eu te dei!

Quando a lua te chamar à janela
E meu retrato veres no quarto
Vais sentir a vida bela
Se te for a morte um novo parto

Que burro sou! Teu amor - ralé
Sobra de um prato cheio venenoso!
Ainda que haja toda fé
O corpo amado te quero morto

Põe tua mão à minha de novo
Põe – suplico, quanto querer!
Beijar-te com gosto o corpo todo
Amar-te um pouco e depois morrer

Hei de debruçar o corpo dela
Ao calor do inferno da tua cama
Estapear a face que é tão bela
Quando diz ela que me ama!

E que fogaréu fizeste, atrevida
Que foste beijando-me ali
Pose de princesa, mulher da vida
Só de olhar eu já morri!

A lágrima escorre feito sangue ardente
Explode meu peito de dor profunda
Sou poeta defunto, amante e demente
Padece o amor de vagabunda!

Enterra-me, ó diabo, leva-me contigo!
Cabe um amor do tamanho do inferno?
Escuta este homem, poeta amigo
Não há amor que te seja eterno!

Miguel Alcântara