sexta-feira, 26 de junho de 2009

Ai de mim!

Aqui no meu âmago, poeta, escuta...
profundo escárnio desgostoso!...
doces lábios que tem a puta...
eu só quero provar de novo!

A sala escura, a cama vazia...
as pernas dela não me entrelaçam...
nem tua alma vem sombria...
Penar de mim! – e as horas passam...

Corre, poeta, na rua dela...
Faz poesia ou serenata...
de joelhos – Tu, donzela...
ou me beija, ou me mata!

Animalesco, um trovador...
Louvando a ti – ai, socorro...
Vem depressa! Ai, que dor...
Não demora! - Assim eu morro...

Te odeio, rameira...tanto, tanto...
Sabes que choro todos os dias...
quando nos sonhos vem meu pranto
trazer contigo as alegrias...

Teu rosto brilhou no sol nascendo...
Respirou, profundo, o peito enchia...
Que rosto lindo! Estou morrendo...
no ritmo nobre...calmaria...

Agora pousa os lábios impuros
na boca suja de algum patife...
E nos teus sonhos mais profundos...
qual outra tragédia é mais triste...

Que amar sem ser amado...
E desfalecer no leito próprio...
Eu choro, poeta, desamparado...
Ai de mim! – destino sóbrio...

Miguel Alcântara