domingo, 5 de abril de 2009

A Sete Chaves De Um Coração Ardente

De joelhos eu suplico
Tirai-me destes males este amor!
Quero viver apenas, só quero isso
E nunca mais amar com tanta dor

Já atravessei dois mares,
Já fiz poesias pelos ventos,
Visitei a morada de Hades
Pela manhã, pus-me em desalento

Os santos pregam – tens a cura
E eu – infante, minha alma menina
Que ama e crê de forma pura
Que chora e não morre, desatina

Mas se eu olhar naqueles olhos
Que têm o verde das águas do mar
São olhos puros e perigosos
Por quem eu morro só de olhar!

Se sou amante desta amada agonia
Desterro-me inteira, não há viver
Conforme se vai, dia após dia
Como se ama - se pode morrer

Meu amor, quando leres esta poesia
Não indaga a mim quem amo tanto
Só chora comigo, que da lágrima mais fria
Hei de declarar-me em profundo pranto

Se estás tão longe, somente respira!
Tua pele dá uma ardência de saudade
Que é chama ousada, na ávida mentira
Declama meu verso de amor pela metade

Anjo perdido, levitas na madrugada
Invades todo sonho que tenho
Contigo sou tudo – de perto sou nada
Depões meus clamos em lamento

O rio que eu via da janela
É de água doce banhado em choro
Onde navega uma rosa, toda bela
Que te dá a vida se por ti eu morro!

Nem sentia a alma viva
E não pude ter o teu abraço forte
Se a tua voz de hoje não tinha
Só por isso eu queria a morte!

Mas a dor é grande e o amor maior
Que há um Deus capaz de mostrar
O quanto morre um coração sem dó
Por tantos dias querendo te amar!

Chorei – não pouco, chorei por ti!
Não hei de arrepender-me nem um segundo
Se morro amanhã, e a vida inteira vivi
Tentando dar-te muito mais que o mundo

É glória amar por toda a vida
É doído um amor que se não corresponde
Mas declama poesia se tens a voz sofrida
Só escreve, e cala! – assim te esconde

Em meu coração lacrado vou dizendo
Adeus, amorzinho! Vou-me embora
E não penses assim, que estou sofrendo
Esquece de mim – viva agora

Nem beijo roubado, nem cerimônia qualquer
Hei de estar contigo um dia
Mas é o amor tão mais que a mulher
Que mata por dentro se finge alegria

Estou indo – sem promessa, e assim despeço
Dos meus amigos que ampararam essa tristeza
Dos lindos amores que ainda desprezo
E com mais saudade, da tua beleza!

Se no acaso eu voltar, e teu coração abrir
Me ama demais, me mata de amor!
De longe, pensa em mim – hei de sentir
Se pensa, lamenta – me vem a dor!

O amor da vida minha és tu - neguei
Que te quero tanto e guardo comigo
Um amor eterno, e eu deixei
Que soubesses que era só amor amigo!

Beija teu amor assim, com vontade
Que aqui eu sonho com teu beijo
Os teus lábios nos meus, de verdade
Quando acordo, choro – restou um desejo!

E assim vivendo, em ti pensando
Por ti eu vivo, por ti eu morro
Este amor é a vida que está me matando
Enquanto digo que te amo, peço um socorro

Meu amor, é tarde, mas vedes a lua
Está tão linda, nesta noite bela
E dormes como anjo, quisera agora ser tua
E adormecer em teus braços olhando para ela

Meu barco está partindo, ah, que saudade!
Da tua voz, teu cheiro, teu corpo, teu olhar
Já sinto a vida partir-me em metade
Sem tuas mãos, tua boca, e ainda te amar!

Esta poesia é meu rastro apaixonado
Vou-me agora, mas volto um dia
Quando souberes o que tenho guardado
Além deste amor e de toda a agonia

Estou partindo, levo-te aqui dentro
A minha vida inteira se resume em teu nome
Pudera estar agora em teu leito
Dando um último beijo – assim se some

Que haja uma vida após esta
Que haja em teu peito um espaço meu
Assim se vive o poeta
Que quando ama já morreu

Vou te amar, ainda te amo!
E prometo assim para sempre!
É por teu nome que eu chamo
Se esqueço até de mim, de repente

Assim, meu amor, meu barco está partindo
E o brilho da lua escreve teu nome no mar
Lembra-te dos versos aqui escritos
Adeus, meu amor – e que ainda vou te amar!

Laura Vianna