domingo, 5 de abril de 2009

O Que Meus Olhos Não Falam

Sobre o que meus olhos falam – como eu, eles te amam, te querem como sendo parte tua. É olhando nos teus olhos que me sinto distante do chão onde piso. É no fundo dos teus olhos que eu encontro a razão da minha alma existir. É dentro dos teus olhos onde queria viver a minha vida inteira – para ti.
Sobre a razão do que meus olhos falam, é o brilho do teu olhar que lapida minha existência. É o maremoto e vai-e-vem das ondas do mar que me sugam para dentro de ti, como se minha alma houvesse de ser partida para um reencontro consigo mesma.
Sobre os versos que meus olhos declamaram, nenhuma poesia foi capaz de dizer-te o que eles queriam. Nem todos os segundos estendidos sem término aparentemente te disseram o que meus olhos queriam dizer, quando estão assim, penetrando nos teus, e foges! Se não foges, sou eu – covarde, e mereci...
Mereci que teus olhos negassem os meus, sem que todas as vezes eu fosse capaz de dizer que te amava.
Mereci que meus olhos perdessem o encanto, torturados pela tua ausência e banhando-me a face em lágrimas de saudade. Saudade de ti quando estás mais perto, pois estás, e não pertences a mim.
Sobre o que meus olhos ainda podem falar, meus olhos são donos de um poema cego. Eles não dizem o que tu queres ouvir, mas eles são o que precisas – um amor prometido por toda a eternidade.
Sobre o que meus olhos não falaram, ainda hás de saber – toda a angústia que sofri, todo poema que escrevi, todos os versos que leste, toda voracidade do meu ser neste peito rasgado foram em teu nome. Na minha paixão inconfessa. No meu mudo desejo. No teu amor mais puro ou distante.
Os olhos falam pela alma, e da minha boca nunca haverá de ser pronunciada uma poesia apaixonada – nunca direi para ti. E é assim que eu te amo. Porque que meus olhos não falam...

Laura Vianna