sexta-feira, 20 de março de 2009

As Esquinas De Uma Rua

Em que rua estás? Tua alma noturna rendida ao encanto da lua contempla as sombras e a solidão no deserto urbano. Passos lentos desdobram-se no asfalto. Posso sentir que estás longe de mim, mas tão perto que arrepia-me o corpo todo. Estás tão longe e cada vez mais perto, pois estás dentro de mim. Quero sair pela cidade gritando teu nome, quero sacudir teus amigos que te roubam sorrisos nesta noite – eles são meus! Quero te puxar pelos cabelos com tanta força que somente arrancando-te alguns fios eu pararia com isto. Quero arranhar o teu rosto e mais um pedaço da tua pele que eu possa terminar de ferir com os dentes. Quero rasgar tua roupa e despir completamente este ardor de paixão! Quero o teu sangue derramado em gotas curtas para deixar os meus lábios quentes. Quero que grites, pois há de satisfazer-me tua aflição. Quero mesmo é que voltes para casa, sem tropeçar no caminho, e há de barrar-se às esquinas de uma rua com um pedaço meu. A roupa que vestes aperta tanto este corpo e sentes frio. As pessoas ao teu lado são tão vazias que não te resta um terço do amor que tens para dar. O vento forte ergue teus cabelos e não há quem afague e sinta o cheiro das flores neles escondido. Ah, falta-te algo, minha ternura! Deixes que renuncie ao meu amor e cure o teu rosto ferido pela ausência tua, o teu corpo machucado como está meu coração, os teus fios de cabelos jogados por atribuir-te a culpa de te amar demais. Quero sentir da tua boca toda a vida que tens e guardas para alguém, sem dispersá-la um segundo sequer longe de mim. Quero cada parte do teu corpo, do ar que respiras às batidas do peito, do sangue apaixonado e da vida eterna no gozo dos lábios teus. Vem! É muito amor. Vem depressa! É uma vida jogada ao vento a cada esquina da rua que passas.

Victória Prado