quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Sagrado Desejo

Notara sua beleza, tornei-me presa
Deste peito vago à dispersos amores
Pus-me à tua frente, como serva à realeza
E dou-te estes versos – são mais do que flores!

A nobreza angelical outrora avistei
Quando um fardamento negro cobria-te ao pescoço
Dizeis que amor é puro, e distante de desejo
Pois do que sinto a declarar-te, é só um esboço!

Os cabelos ao vento assim dançavam
E os olhos fixaram um ponto distante
Tentei decifrar-te o que falavam
E assim perdi-me por um instante

Agora anseio estar em teus braços
E ouvir da tua boca uma palavra bonita
Desejo dar ao teu lado o que resta de meus passos
E escrever esta paixão como uma história infinita

E perder-me assim, em meio a teus cabelos!
Dando um forte abraço como já fizera
Sentir pulsar o peito, por soluço ou anseio
E fazer-me criar a fábula mais bela

Faz-me serva; oh face triste!
A dor encanta e ao amor intriga
Tens a conduta errônea, divina e maldita
A saudade calou-se e por vós incide

Não que sejas tolo, órgão infante
Que me reside ao peito e bate à porta
É a tolice da vida não amar o bastante
E o destino do homem tê-la morta

Teu desejo – profano; e se meu – que há?
Teus olhos de pérolas verdes me ferem
Vejo-os banharem-se em prantos, esmaecerem devagar
Se pecado querê-los, ah! – me selem!

Terna e graciosa, és o amor – és a prosa?
Divindade esplêndida, me roubas a alma e alucina
Temo dar-te por inteira, e de mim fazes aurora
Uma serva dos sentidos – ora mulher, sempre menina

Victória Prado